Capítulo 07. Denotação, Conotação e Polissemia
1. Denotação e Conotação

De um modo geral, pode-se dizer que os sentidos das palavras compreendem duas ordens: referencial ou denotativa e afetiva ou conotativa.

Uma palavra assume o valor referencial ou denotativo quando é tomada no seu sentido usual ou literal, ou seja, naquele que lhe atribuem os dicionários. O sentido é objetivo, explícito, constante. Ela designa ou denota um determinado objeto, referindo-se ao mundo da realidade palpável. Pode-se, portanto, afirmar que denotação é o significado objetivo da palavra; é a palavra imobilizada em seu estado fixo de dicionário. Todos entendem da mesma forma e todos apreendem a mesma informação. Não há a menor possibilidade de uma interpretação múltipla quando se trata de um uso

 

denotativo de qualquer termo. Há uma possibilidade e apenas uma.

Além desse sentido, cada palavra remete a inúmeros outros sentidos conotativos, apenas sugeridos, evocando outras idéias associadas, de ordem subjetiva. Conotação é, pois, o significado subjetivo da palavra, decorrente das evocações que a palavra provoca por associação de quem a ouve ou fala. O sentido conotativo difere de uma cultura para outra, de uma classe social para outra, de uma época para outra. Se forem observadas, as palavras senhora, esposa e mulher denotam praticamente a mesma coisa, mas têm conteúdos conotativos diversos, principalmente se for levado em conta o elemento prestígio contido em cada uma delas.

 


Leitura Complementar:
 

2. Polissemia

No dia-a-dia, nas diferentes situações de uso da linguagem, empregam-se, muitas vezes, vocábulos com sentidos diferentes do seu sentido primeiro. Tal diferenciação é resultado de um processo lento e constante de mudança de sentido dos vocábulos que são efetivamente usados pelos falantes. Quando um novo sentido é assimilado pelo grupo e generaliza-se, o vocábulo amplia seu campo de significação, revelando um procedimento essencial para que se mantenha a vitalidade do idioma – uma renovação chamada polissemia.

Quaisquer mudanças de sentido obedecem a padrões culturais, não sendo, portanto, gratuitas nem arbitrárias. Devem ser vistas e analisadas como resultado do uso da linguagem como instrumento para a leitura do mundo, para a expressão do indivíduo e para a sua identificação como membro de um determinado grupo.


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