Capítulo 07. Óptica da Visão
Leitura Complementar (I)

O fenômeno da visão pode, para efeito de compreensão, ser dividido em três etapas: o estímulo causado pela luz proveniente dos objetos, a sua recepção pelo olho humano, onde se forma a imagem, e a sensação de visão que corresponde ao processamento das informações transmitidas do olho para o cérebro.

O olho humano constitui-se num sistema óptico extremamente complexo e dotado de mecanismos muito delicados que permitem a focalização correta, tanto de objetos colocados próximos como de objetos distantes.



Para estudarmos a trajetória descrita pelos raios luminosos, através do olho humano, até a formação da imagem, podemos utilizar um modelo simplificado, denominado de olho reduzido. Este é formado por uma única lente convergente (cristalino), representando a córnea, humor aquoso, cristalino e humor vítreo, e a retina, localizada no fundo do olho, onde se forma a imagem.


O funcionamento do olho humano se assemelha, em muito, ao de uma máquina fotográfica, onde o cristalino faz o papel da lente objetiva, e a retina, o papel do filme. A pupila controla a entrada de luz no olho, funcionando como o diafragma da máquina fotográfica.

O cristalino, lente convergente, forma sempre, de um objeto real, uma imagem real, invertida e menor que o objeto, localizada sobre a retina, no fundo do olho.

Normalmente, podemos enxergar objetos situados desde uma distância média (convencional) de 25 cm até o infinito. À medida que visualizamos objetos cada vez mais afastados, o olho humano realiza o mecanismo de focalização, denominado de acomodação visual. Neste processo, o cristalino, que é constituído de material flexível, tem sua curvatura alterada pelos músculos ciliares e, com isso, a distância focal do cristalino se altera para que a imagem seja formada sempre na retina.

Para objetos situados a uma distância considerada infinita do olho humano, denominada de ponto remoto, os músculos ciliares estão relaxados e o foco imagem da lente convergente (cristalino) encontra-se exatamente sobre a retina.



Supondo que a distância do cristalino à retina seja, aproximadamente, 2,5 cm e a distância do objeto à lente, infinita, a equação dos pontos conjugados nos fornece


C = 40di

ou seja, nas condições de um objeto localizado no infinito, o cristalino funciona como uma lente convergente de convergência de, aproximadamente, 40 dioptrias e o olho não realiza esforço algum de acomodação.

Vejamos, agora, como funciona o cristalino quando o objeto encontra-se a uma distância de 25 cm do olho. Essa distância recebe o nome de distância mínima convencional de visão distinta e representa o ponto próximo. Nessas condições, os músculos ciliares apresentam uma contração máxima, fazendo com que o cristalino apresente uma distância focal mínima.

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