Capítulo 07. Óptica da Visão

Para a determinação da convergência do cristalino, devemos aplicar a equação dos pontos conjugados, lembrando que p = 25 cm (distância do objeto à lente) e p’ = 2,5 cm (distância aproximada do cristalino à retina). Assim, temos:


C = 44di

Nas condições de um objeto localizado no ponto próximo (25 cm do olho), o cristalino funciona como uma lente convergente de convergência igual a 44 dioptrias.

Portanto, quando um objeto se movimenta desde o infinito (ponto remoto) para um ponto situado a 25 cm do olho (ponto próximo), a convergência, ou vergência, do cristalino varia de 4 dioptrias. Essa variação de convergência do cristalino, entre as duas posições extremas do objeto, recebe o nome de amplitude de acomodação do olho.

Considere que a retina do olho de uma pessoa, ilustrado na figura, esteja localizada a 2,5 cm do conjunto formado pela córnea e pelo cristalino – conjunto considerado aqui como uma única lente de espessura desprezível – e que, se a musculatura do olho estiver relaxada, a imagem nítida de uma estrela no céu é feita exatamente sobre a retina, no fundo do olho. Para que a pessoa possa observar nitidamente um objeto situado próximo ao seu rosto, será necessário um esforço para alterar a curvatura do cristalino, e assim variar a distância focal da lente. Suponha que a pessoa focalize nitidamente a estrela e, depois, um objeto situado a 10 cm da córnea de seu olho. Calcule, em milímetros, a diferença entre as distâncias focais nos dois casos. Despreze a parte fracionária de seu resultado, caso exista.

Resolução

Objeto no infinito imagem no plano focal. Portanto:

f1 = 25cm = 25mm

Objeto a 10 cm do olho:



f2 = 2,0cm = 20mm

Portanto: f = f1f2 = 25 – 20

f =5,0mm


Perto ou Longe

Uma das razões pelas quais você avalia melhor as distâncias, valendo-se de ambos os olhos abertos, vem indicada na seguinte experiência. A luz proveniente do extremo de um objeto deve se propagar em direções diferentes para alcançar os dois olhos. Trata-se de um simples caso de triangulação. Aqui a linha de base é a distância entre os olhos; e se os dois olhos fossem pessoas independentes, eles poderiam calcular a distância ao objeto representando a linha de base e os ângulos que forma com as linhas de visada, ou efetuando cálculos trigonométricos. Naturalmente, nosso cérebro não nos diz a distância por meio de tais cálculos. O processo de fazer convergir nossos olhos segundo as linhas de visada corretas e focalizá-los nos cones de raios certos foi calibrado por nossa experiência passada. Nosso conhecimento adquirido das distâncias, associado ao ato particular de convergir e focalizar, nos diz diretamente onde está o objeto – e nos diz com precisão maior do que quando focalizamos com apenas um olho.

Se você deixar outros objetos ao redor quando tenta medir distâncias, ou se usar blocos ao invés de arames finos, será capaz de tocar um objeto em outro com facilidade ainda maior. Em tais circunstâncias, nosso cérebro aproveita outros meios, por exemplo, o efeito estereoscópico que resulta da visão ligeiramente diferente das faces dos blocos vistas por meio de cada olho. A diferença entre as duas visões se torna maior à medida que o objeto é aproximado do observador. O tamanho e a posição dos objetos próximos ajudam também o cérebro a avaliar a distância dos arames.

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