Capítulo 07. Óptica da Visão

Existem muitas indicações, tais como o tamanho, as sombras, e o movimento de objetos familiares, que nos ajudam a avaliar a que distância de nós se encontra um objeto. Quando essas indicações estão presentes, a interpretação direta dos raios nos cones de luz que penetram nos olhos e do ângulo entre os cones se torna menos importante, mas, para curtas distâncias, essas indicações físicas óbvias são usadas.

Podemos sempre localizar a posição de uma fonte de luz se conhecemos as direções de vários raios provenientes dessa fonte. Basta simplesmente traçar dois ou mais desses raios, em direção da fonte, até que se encontrem. O ponto de interseção localiza a fonte. Quando um cone de raios chega a nosso olho, procedente de tal fonte, mudamos automaticamente a forma de nosso olho, de modo a focalizar os raios que divergem da fonte: podemos ver assim uma imagem da fonte. Esse processo de focalização de nossos olhos nos dá uma informação equivalente à obtida retraçando os raios, e em certas circunstâncias, sem o saber, utilizamos essa informação para avaliar a distância à fonte.

Podemos avaliar mais facilmente as distâncias com dois olhos do que com um só. Para se convencer disso, peça a um amigo para segurar um pedaço de arame fino, distante de outros objetos. Com um arame semelhante em sua mão, tente tocar o extremo do outro arame, estando ele aproximadamente à distância máxima que você pode alcançar. Você verificará que pode fazê-lo com precisão considerável. Tente, então, a mesma experiência, com um olho fechado. Você verificará que é muito mais difícil unir os dois pedaços de arame.



Visão binocular: avaliamos distâncias pelo ângulo de convergência dos olhos sobre o objeto, bem como pela focalização dos pincéis cônicos.


Saiba mais sobre o Olho Humano

O olho humano é um órgão aproximadamente esférico, com diâmetro em torno de 25 mm, equivalente ao sistema óptico da máquina fotográfica e constituído basicamente por: um sistema de lentes, cuja função é desviar e focalizar a luz que nele incide – a córnea e o cristalino; um sistema de diafragma variável, que controla automaticamente a quantidade de luz que entra no olho – a íris (cujo orifício central se denomina pupila); e um anteparo fotossensível – a retina.

Além desses sistemas, o olho possui outros componentes que o caracterizam como uma câmara escura propriamente dita: a esclerótica e a coróide. Os outros componentes do olho humano têm por função fornecer nutrientes e manter a pressão interna do olho: humor aquoso e humor vítreo.

A córnea representa o primeiro meio transparente encontrado pela luz. É uma membrana curva e clara, com espessura aproximada de 0,5 mm.

A luz que atinge obliquamente a superfície da córnea sofre um desvio, que é responsável por 2/3 de sua focalização na retina. Isso ocorre devido à curvatura da superfície da córnea e à diferença do índice de refração entre os meios ar (nar = 1) e córnea (ncórnea = 1,37).

Após a córnea, a luz encontra o humor aquoso, que é um líquido incolor (nhumor aquoso = 1,33), de constituição

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