Capítulo 07. Óptica da Visão

semelhante ao plasma sanguíneo e continuamente produzido e absorvido; sua renovação se dá num período de 4 horas.

A esclerótica é o envoltório fibroso, resistente e opaco mais externo do olho, comumente denominado “branco do olho”. Na frente, a esclerótica torna-se transparente, permitindo a entrada de luz no olho (córnea). Internamente, em relação à esclerótica, o olho apresenta uma camada pigmentada denominada coróide.

A coróide é uma camada rica em vasos sanguíneos e células pigmentares, e tem a função de absorver a luz, evitando reflexões que possam prejudicar a qualidade da imagem projetada na retina.

A íris é uma camada pigmentada, mas sua cor não interfere no funcionamento do olho, devendo, entretanto, ser opaca o suficiente para que possa funcionar como diafragma. A cor do olho é denominada pela quantidade de melanina presente, único pigmento encontrado no corpo humano.

Sua função é limitar a quantidade de luz que atinge a parte central opticamente melhor do cristalino.

A íris é formada principalmente por músculos circulares e radiais que, ao serem estimulados, provocam a diminuição ou aumento de sua abertura – a pupila –, cujo diâmetro pode variar de 1,5 mm a 8,0 mm. Seu funcionamento, porém, não é instantâneo, pois leva cerca de 5 segundos para se fechar ao máximo e em torno de 300 segundos para se abrir novamente.

Após ter sido controlada pela íris, a luz atinge o cristalino, que, do mesmo modo que a córnea, atua como lente convergente, produzindo praticamente o terço restante do desvio responsável pela focalização na retina. Isto ocorre devido à diferença entre o índice de refração do cristalino (n = 1,38 a 1,41) e do humor aquoso (n = 1,33) que o precede, e à sua curvatura.

A importância maior do cristalino não está em desviar a luz, mas sim em acomodar-se para focalizar a luz na região da retina mais sensível à luz. Em sua trajetória no olho, após atravessar o cristalino, a luz passa pelo humor vítreo, uma substância clara e gelatinosa que preenche todo o espaço entre o cristalino e a retina, sendo seu índice de refração igual a 1,33. Nessa passagem a luz sofre pequena divergência, uma vez que sai de um meio
mais refringente para entrar num meio menos refringente.


Finalmente, após atravessar os meios transparentes do olho, a luz atinge a retina, uma “tela” sobre a qual deverá se formar a imagem, que, decodificada pelo sistema nervoso, permitirá a visão das coisas. É uma camada fina, com espessura aproximada de 0,5 mm, rosada, constituída de fibras e células nervosas interligadas, além de dois tipos especiais de células que são sensíveis à luz: os cones e os bastonetes, cujos nomes estão relacionados à forma que apresentam.

Essas células, denominadas fotossensíveis, são as responsáveis pela conversão da luz em impulsos elétricos, que serão transmitidos ao córtex cerebral. Tal sensibilização é explicada pela ação da luz, cuja energia é responsável pela ação química e elétrica que se desencadeia nas células fotossensíveis; os detalhes dessa ação ainda são controvertidos, especialmente no campo fisiológico.

Na constituição da retina existe ainda uma camada de células pigmentadas que têm por função absorver a luz depois que esta impressiona as células fotossensíveis, impedindo que seja refletida e difundida, o que viria a prejudicar a nitidez na retina.

A falta dessa camada pigmentada faz com que os raios luminosos sejam refletidos em todas as direções no interior do olho, causando iluminação difusa na retina, sem o contraste de pontos claros e escuros necessários à formação de boas imagens. Essa anomalia ocorre com os indivíduos albinos, que não possuem pigmento melânico no organismo. Isso faz com que a visão dos albinos, mesmo com os melhores meios de correção óptica, raramente ultrapasse 1/5 ou 1/10 da normal.


Leitura Complementar (II)


Instrumentos Ópticos


A. A Lupa (Microscópio Simples)

Para melhorar a visão de detalhes, a lupa produz, de um objeto real colocado entre o foco objeto e o centro óptico, uma imagem virtual, direita e ampliada.

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