Capítulo 04. Refração da Luz
Cada fibra ótica, com 0,1 mm de diâmetro, transmite um milhão de vezes mais dados que um satélite.

Vem aí um dilúvio de bits

Com velocidade vertiginosa, as fibras óticas desbancaram os satélites nas comunicações (interligando os continentes por cabos submarinos ou terrestres) e agora estão batendo à sua porta.

A revolução começou na década de 80, acelerou nos anos 90 e hoje, no mundo todo, já há 10 milhões de quilômetros de cabos contendo, cada um, dezenas de fibras de vidro de 0,1 milímetro de diâmetro cada uma. Uma única fibra transmite um milhão de vezes mais informação do que um satélite. Como resultado, circulam hoje pelo mundo 1,5 quatrilhão de bits por segundo, carregando dados, e-mails, imagens digitais ou

conversas telefônicas. As cidades pequenas ainda precisam usar antenas e fios elétricos para ter acesso aos grandes troncos óticos. Mas, nas metrópoles como São Paulo, os canudinhos de luz já chegaram à maioria dos bairros e aos prédios maiores – só as residências não estão diretamente conectadas às fibras. É verdade que o trânsito de bits não pára de crescer: só a Internet faz o fluxo de informações multiplicar por dez a cada ano que passa. Também vai crescer a quantidade de aparelhos inteligentes, capazes de se comunicar entre si – carros, televisores, geladeiras e fornos de microondas estarão conectados às rodovias planetárias de informação. Mas a produção de fibras avança no mesmo ritmo. Para você ter uma idéia, se todos os canudinhos fabricados no mundo fossem emendados num único tubo (em vez de ser enfeixados em cabos), o tamanho dessa superminhoca transparente aumentaria a uma velocidade duas vezes maior que a da luz, de 300 000 quilômetros por segundo.

A capacidade de transmissão também está crescendo depressa: há dez anos, cada fibra levava um único raio de luz e transmitia 600 milhões de bits por segundo. Já se pode canalizar 100 raios dentro da fibra e transmitir 1 trilhão de bits por segundo.

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